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Fatos verificáveis, sem avaliação. Os números da tabela vêm das mesmas fontes dos gráficos (IBGE, Banco Central e Tesouro).
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Aqui só entra a União (governo federal, sem estados e municípios) e só a despesa primária, sem os juros da dívida. A maior parte é obrigatória: a lei ou a Constituição mandam pagar. A parte discricionária é a que o governo pode escolher onde gastar, e é nela que entram as emendas parlamentares.
Emendas são a parte do orçamento que deputados e senadores indicam para onde vai, em geral para obras e serviços nos seus estados e municípios. Desde 2015, parte delas tem pagamento obrigatório.
Valores empenhados (autorizados) no ano da emenda; o pagamento pode ocorrer nos anos seguintes. Fonte: CGU, Portal da Transparência (dados abertos de emendas). Despesas discricionárias: Tesouro Nacional (RTN).
Uma promessa comum é equilibrar as contas sem mexer nas despesas obrigatórias, cortando publicidade, ministérios e vendendo estatais. Mexa nos controles e compare a economia com o déficit primário do ano. Em Cortar também você pode incluir qualquer outra despesa do orçamento, obrigatória ou discricionária, e escolher quanto cortar dela.
Aposentadorias de valor mínimo, BPC e abono valem exatamente 1 salário mínimo, que hoje sobe todo ano pela inflação mais um ganho real (pela regra atual, até 2,5% acima da inflação). Uma forma de economizar sem "cortar" nada é desvincular esses benefícios do salário mínimo: o valor em reais não cai, mas perde poder de compra a cada ano. Veja quanto isso economiza e quanto o beneficiário perde.
Vender uma estatal traz dinheiro uma única vez. Pelas regras das estatísticas fiscais, esse dinheiro abate a dívida, mas não entra no resultado primário. Fechar um ministério economiza pouco no curto prazo: a maior parte do custo são servidores concursados, que não podem ser demitidos e passam para outros órgãos.
Imagine a população enfileirada da renda mais baixa para a mais alta e dividida em dez grupos do mesmo tamanho. Cada barra mostra a renda média por pessoa de cada grupo: tudo o que entra na casa (salários, aposentadorias, benefícios), dividido pelo número de moradores. Escolha um estado no mapa para comparar.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua (rendimento domiciliar per capita a preços médios do ano, tabelas 7531 e 7435). Em 2020 e 2021 a pesquisa foi feita por telefone, por causa da pandemia.
A União controla diretamente 44 empresas, que por sua vez controlam outras 73 (subsidiárias). Algumas dão lucro e pagam dividendos à União; outras, chamadas dependentes do Tesouro, não se pagam e recebem dinheiro do orçamento todo ano para funcionar, como os hospitais universitários e a Embrapa.
Lucro líquido de 2025 (acumulado até o 4º trimestre). Dividendos: valor destinado à União na demonstração de valor adicionado da própria empresa; pode diferir do que entrou no caixa do Tesouro no ano (R$ 45,8 bi em 2025, que inclui valores de anos anteriores). Agrupamento por área feito por nós a partir do segmento oficial. Fonte: SEST/MGI, dados abertos das estatais.
Quem extrai petróleo, gás ou minério paga à União uma compensação pelo uso de um recurso que pertence a todos: os royalties e a participação especial (petróleo e gás, cobrados pela ANP) e a CFEM (mineração, cobrada pela ANM). A lei manda dividir esse dinheiro entre União, estados e municípios, com a maior parte para os lugares onde a produção acontece.
Repasses mensais da União a estados e municípios, somados por estado e ano. A CFEM é dividida em 10% para a União, 15% para o estado e 75% para municípios produtores e afetados. Fontes: Tesouro Nacional, Resultado do Tesouro Nacional (receita e repasse totais) e Tesouro Transparente (transferências por estado e município, desde 2017).
A maior parte da energia elétrica do Brasil vem das hidrelétricas. Quando chove pouco e os reservatórios baixam, o país liga as termelétricas (a gás, carvão ou óleo), que custam mais caro e poluem mais. É isso que aciona as bandeiras tarifárias e encarece a conta de luz, como em 2014–2015 e 2021. Nos últimos anos, a energia dos ventos (eólica) e do sol (solar) cresceu rápido.
Sistema Interligado Nacional, que atende quase todo o país. Não inclui os painéis solares em telhados (geração distribuída), que também cresceram muito, nem os sistemas isolados da Amazônia. A geração nuclear (Angra) entra como termelétrica. Fonte: ONS, dados abertos (balanço de energia por subsistema).
Preço médio pago pelas residências (tarifa, bandeiras e impostos: ICMS, PIS e Cofins), calculado como receita dividida pelo consumo de cada distribuidora e repartido por estado conforme o número de consumidores. Não inclui a taxa de iluminação pública nem quem compra no mercado livre. Meses com valores claramente errados na fonte foram descartados. Fonte: ANEEL (SAMP e INDGER).
Variação de preços medida pelo IBGE no IPCA (subitem energia elétrica residencial), média das regiões pesquisadas. Inclui tarifa, bandeiras e impostos. Fonte: IBGE.
Onde o Brasil tem embaixadas, com quem compra e vende, com quem assinou acordos e de que blocos participa. Escolha o que mostrar e clique num país para ver os números.
Países se juntam em blocos para negociar em conjunto, reduzir tarifas de comércio ou coordenar posições em temas globais. Alguns são uniões comerciais (Mercosul), outros são fóruns políticos sem regras de comércio próprias (BRICS, G20). Clique em um bloco para vê-lo no mapa.
Comércio com cada bloco no ano escolhido, somando os países membros. Fontes: Comex Stat (MDIC); Itamaraty; Senado Federal (ratificação do acordo Mercosul–UE); Comissão Europeia (aplicação provisória desde 1º de maio de 2026); site da presidência brasileira do BRICS.
O Brasil tem uma das maiores populações presas do mundo. Parte cumpre pena em celas de presídios e cadeias; outra parte está em prisão domiciliar, com ou sem tornozeleira eletrônica. Muitos presos ainda não foram julgados: são os presos provisórios.
Em 2020, na pandemia, o CNJ recomendou trocar a prisão por domiciliar para grupos de risco e casos menos graves, e o número de presos em casa saltou. Desde então, o levantamento conta a domiciliar à parte.
1,0 significa uma pessoa por vaga; 2,0, o dobro da capacidade. Veja também os presídios por estado no mapa (Estados e regiões). Fonte: SENAPPEN, SISDEPEN (bases de dados semestrais, situação em dezembro; o total de 2025 confere com o relatório oficial).
Cada estabelecimento prisional informa ao SISDEPEN a data em que foi inaugurado. Presídios estaduais são obras dos governos dos estados; os federais, da União. Ligamos cada inauguração ao governador (ou presidente) que estava no cargo naquele ano. A data de início da obra não existe nos dados: como uma obra leva anos, quem inaugura nem sempre é quem construiu. Por isso há a opção de atribuir ao governo anterior as inaugurações feitas no primeiro ano de um mandato.
O número de presos depende não só da criminalidade, mas também das regras: o que é crime, quem pode esperar o julgamento em liberdade e quando a pena começa. Estes são os principais marcos desde 2006.
Resumo das normas, sem avaliação. Fontes: Planalto (textos das leis), STF e CNJ.
A Justiça brasileira é dividida por assunto (crimes e conflitos comuns, trabalho, eleições, assuntos militares) e por degraus, as instâncias. Um processo começa com um juiz; quem perde pode recorrer a um tribunal, e daí aos tribunais superiores em Brasília. No topo está o Supremo Tribunal Federal (STF), que dá a palavra final quando a questão envolve a Constituição.
Juízes de 1ª instância entram por concurso público. Nos tribunais, parte das vagas vai para juízes de carreira e um quinto para advogados e membros do Ministério Público (o "quinto constitucional"). O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fiscaliza a administração e a conduta dos juízes, mas não julga processos. Fonte: Constituição Federal, artigos 92 a 126.
O presidente da República escolhe livremente. A pessoa precisa ser brasileira nata, ter entre 35 e 70 anos, "notável saber jurídico" e "reputação ilibada" (vida sem manchas).
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) entrevista o indicado. Depois, o plenário vota em segredo: são necessários 41 dos 81 senadores. O Senado rejeitou indicações só em 1894 (cinco nomes) e em 2026.
O ministro fica até se aposentar, renunciar ou morrer. A aposentadoria é obrigatória aos 75 anos (era aos 70 até a Emenda Constitucional 88, de 2015). Só o Senado pode afastar um ministro, por crime de responsabilidade.
Os próprios ministros elegem o presidente do tribunal por 2 anos. Por tradição, escolhem o mais antigo que ainda não presidiu. Desde setembro de 2025 o presidente é Edson Fachin.
Cada linha é uma cadeira, de 1988 até a aposentadoria obrigatória de quem está nela hoje. A linha amarela marca o ano escolhido no topo. CliqueToque numa barra para ver os detalhes do ministro.
Para se candidatar, a pessoa precisa estar filiada a um partido pelo menos 6 meses antes da eleição. No Brasil não existe candidatura avulsa, sem partido.
União de partidos só para uma eleição. Desde 2020 é proibida para deputados e vereadores; continua permitida para presidente, governador, senador e prefeito.
Partidos que se unem por pelo menos 4 anos e atuam como um só, inclusive no Congresso. Existe desde 2022 e ajuda partidos menores a atingir a cláusula de desempenho.
Partido que não alcança um mínimo de votos para deputado federal (2,5% em 2026) ou de deputados eleitos perde o dinheiro do fundo partidário e o tempo de rádio e TV.
Por 30 dias, seis meses antes da eleição, deputados e vereadores no fim do mandato podem trocar de partido sem perder o cargo. Fora dela, a troca pode custar o mandato.
Partidos podem se juntar num só: União Brasil (DEM e PSL, 2022) e PRD (PTB e Patriota, 2023) são exemplos. A cláusula de desempenho estimulou fusões.
A Justiça Eleitoral pode negar o registro de um candidato antes da eleição ou cassar o diploma depois. Aqui entram só os motivos ligados a conduta, e não falhas de documentação. Para comparar partidos de tamanhos diferentes, a conta é por mil candidatos de cada partido.
Não existe um cadastro oficial de quem espalha notícias falsas. O levantamento mais amplo com base em decisões judiciais é do UOL, publicado com a Agência Pública em 2023. Ele reuniu decisões do STF e do TSE e o relatório da CPI da Covid, de janeiro de 2020 a janeiro de 2023, e listou quem foi punido ou investigado por desinformação.
Cada ponto é uma cadeira, colorida pela posição do partido de quem a ocupa: das legendas mais à esquerda (à esquerda do semicírculo) às mais à direita. As notas vêm de pesquisas com cientistas políticos, não de uma avaliação nossa. Troque o ano no topo para ver outras legislaturas e clique numa cadeira para ver quem a ocupa.
Fazer parte de uma frente indica interesse no tema; não mostra como a pessoa vota. Seleção de 15 frentes da legislatura 2023–2027 (Câmara dos Deputados, dados abertos). Quem está em mais de uma frente escolhida aparece com o círculo dividido.
As contas públicas dependem da economia: quando ela cresce e mais gente trabalha, a arrecadação sobe e os gastos com seguro-desemprego e assistência caem. Aqui estão os principais termômetros, de 2006 a 2025, com as faixas de cada mandato.
O PIB (Produto Interno Bruto) soma tudo o que o país produz em um ano. A taxa de crescimento já desconta a inflação. Como a população também cresce, o PIB por pessoa mostra melhor se, em média, cada brasileiro ficou mais rico.
Fontes: IBGE, via Banco Central (crescimento); Banco Mundial (PIB por pessoa, a preços constantes). De 2015 a 2023, o PIB por pessoa ficou abaixo do nível de 2014: por isso o período é chamado de "década perdida".
A taxa de desemprego (desocupação, no termo do IBGE) mede quem procurou trabalho e não encontrou, em relação a todos que trabalham ou procuram. Quem desistiu de procurar não entra na conta. A renda média é o rendimento habitual de quem trabalha, já corrigido pela inflação.
A pesquisa atual (PNAD Contínua) começou em 2012; por isso a série começa em 2013, o primeiro ano completo.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Banco Central (séries 24369 e 24382). A renda está a preços do último mês publicado pelo IBGE. O pico de 2020 é um efeito de composição: quem perdeu o emprego na pandemia ganhava menos, o que elevou a média de quem continuou trabalhando.
O índice de Gini mede a concentração de renda: 0 seria todos com a mesma renda; 1, uma pessoa com toda a renda. O Brasil está entre os países mais desiguais do mundo, perto de 0,5.
A queda forte em 2020 veio do auxílio emergencial, que aumentou a renda dos mais pobres durante a pandemia; com o fim do auxílio, o índice voltou a subir em 2021.
Fonte: Banco Mundial, com base na PNAD do IBGE. Anos sem ponto não têm dado publicado.
O BNDES é o banco público de desenvolvimento: empresta para obras, máquinas e empresas, muitas vezes com juros abaixo do mercado. Os empréstimos cresceram muito entre 2009 e 2014, com dinheiro repassado pelo Tesouro, e caíram depois de 2016, quando os juros do banco passaram a seguir o mercado (TLP).
O investimento público é o que os governos gastam em obras e equipamentos. Ele costuma ser o primeiro a ser cortado quando falta dinheiro.
Fontes: BNDES, dados abertos (desembolsos mensais somados por ano, corrigidos pelo IPCA); Tesouro Nacional (investimento bruto do governo geral).
A economia costuma ser dividida em três setores: agropecuária (lavouras, criação de animais, florestas), indústria (extrativa, como petróleo e minério; de transformação, como alimentos, carros e aviões; construção e energia) e serviços (comércio, transporte, bancos, saúde, educação, governo). Os gráficos que dependem de um ano usam o ano escolhido no topo da página.
Os serviços são de longe o maior setor da economia e do emprego. A agropecuária é pequena no PIB, cerca de 6%, mas tem peso enorme nas exportações e puxa outras atividades (máquinas, transporte, alimentos). A indústria de transformação perdeu espaço nas últimas décadas: é o que se chama de desindustrialização.
Os três setores somam cerca de 86% do PIB; o restante são impostos sobre produtos, que não pertencem a nenhum setor. Fonte: Banco Mundial, com base nas contas nacionais do IBGE.
Produtos do agro que passam por fábrica (farelo de soja, açúcar, carnes, celulose) contam como indústria de transformação nessa classificação. Fonte: Comex Stat (MDIC).
O Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, líder em soja, café, açúcar, suco de laranja e carnes. Grande parte sai como matéria-prima, sem processamento, e a China é a principal compradora.
Destinos dos produtos agropecuários in natura (como soja em grão, milho e café). Fonte: Comex Stat (MDIC).
Todo ano o governo anuncia o Plano Safra: quanto os bancos devem emprestar aos produtores e com quais juros. Parte desse crédito tem juros menores que os de mercado, e o Tesouro paga a diferença aos bancos (a equalização). O gráfico mostra o que foi de fato contratado, não o valor anunciado. O Pronaf é a linha da agricultura familiar; o Pronamp, a do médio produtor.
Benefícios tributários são impostos que deixam de ser cobrados (por exemplo, a cesta básica e insumos agrícolas sem PIS/Cofins). Não inclui a isenção de IR das LCA (letras de crédito do agronegócio), que o governo soma com as do setor imobiliário: R$ 23 bi em 2024 para os dois juntos. Fonte: Orçamento de Subsídios da União, 9ª edição (MPO). Crédito rural: Banco Central (SICOR), ano de contratação, corrigido pelo IPCA.
A agricultura brasileira depende de fertilizantes comprados no exterior: o país produz pouco nitrogênio, fósforo e potássio. Por isso, guerras e sanções afetam o custo de produzir comida aqui. Em 2022, com a guerra na Ucrânia, o Brasil pagou o recorde de US$ 24,7 bilhões por um volume menor que o do ano anterior.
Capítulo 31 da nomenclatura do comércio exterior (adubos e fertilizantes). Fonte: Comex Stat (MDIC).
A indústria extrativa tira recursos da natureza: petróleo e gás (a Petrobras, empresa de economia mista controlada pela União) e minério de ferro (a Vale, privatizada em 1997). A indústria de transformação fabrica produtos: alimentos, carros, máquinas e aviões (a Embraer, privatizada em 1994, na qual a União mantém uma ação especial com poder de veto em decisões estratégicas).
Em 2025, o petróleo bruto passou a soja e virou o principal produto exportado pelo Brasil. Fonte: Comex Stat (MDIC).
A balança comercial compara o que o Brasil vende ao exterior (exportações) com o que compra (importações). O saldo positivo traz dólares para o país e ajuda a segurar o câmbio. As exportações brasileiras dependem muito de commodities (soja, petróleo, minério de ferro), cujos preços são definidos no mercado mundial.
Fonte: Banco Central (séries 22707, 22708 e 22709), em dólares correntes.
O Brasil também vende produtos industrializados: carros e caminhões (principalmente para a América do Sul), máquinas agrícolas e de construção, motores, e aviões, quase todos da Embraer, a terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo.
Blocos: Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia; a Venezuela está suspensa), União Europeia (27 países) e BRICS (Índia, Rússia, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, além da China, que aparece separada com Hong Kong e Macau). Produtos pela classificação do comércio exterior (posições de 4 dígitos); nomes encurtados por nós. Fonte: Comex Stat (MDIC).
A indústria automobilística é um termômetro da economia: vender carro depende de emprego, renda e crédito. Governos usam o setor para estimular a economia, por exemplo reduzindo o IPI, como em 2009 e 2012–2014.
Fonte: Anfavea, via Ipeadata. Autoveículos: automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.
Serviços e comércio respondem por cerca de 60% do PIB e pela maior parte dos empregos: comércio, transporte, bancos, tecnologia, turismo, saúde, educação e a própria administração pública. Por isso, o desemprego e a renda média acompanham de perto o que acontece nesse setor.
Desmatamento e queimadas aparecem em todo debate e dependem de fiscalização, regras e crédito, mas também do clima e do preço das commodities no mundo. Os dados abaixo são do INPE, medidos por satélite.
O PRODES, do INPE, mede todo ano a área de floresta derrubada (corte raso) na Amazônia Legal, com imagens de satélite. O ano do PRODES vai de agosto a julho: o valor de 2021, por exemplo, cobre agosto de 2020 a julho de 2021. Para ter uma ideia de tamanho, comparamos com a área do município de São Paulo (1.521 km²).
Um foco de queimada é um ponto de fogo detectado por satélite. O número de focos não mede a área queimada, mas mostra a intensidade do fogo ao longo do ano. Ele sobe com secas fortes (como as de 2007, 2010 e 2024, ligadas ao El Niño e ao calor) e com o uso do fogo para abrir e limpar áreas agrícolas.
Contagem do satélite de referência do Programa Queimadas do INPE. A série começa em 1998.
Quem pode usar a terra e o que existe debaixo dela é um dos temas mais disputados do país: mineração, garimpo, terras indígenas e ocupação ilegal de terras públicas.
A mineração industrial é feita por empresas com concessão do governo, em grandes minas (ferro, bauxita, cobre). O garimpo é a extração de menor porte, quase sempre de ouro. Nem todo garimpo é ilegal, porque existe permissão de lavra garimpeira, mas ele é proibido em terras indígenas, e grande parte acontece sem licença, com uso de mercúrio, que contamina rios e peixes.
A demarcação tem quatro etapas: estudo da Funai, declaração pelo Ministério da Justiça, homologação por decreto do presidente e registro em cartório. A homologação é o passo que depende diretamente de cada governo.
Em 2023, o STF rejeitou a tese do marco temporal (que só reconheceria terras ocupadas em 1988). Em seguida, o Congresso aprovou a Lei 14.701/2023, que adotou a tese, e o tema voltou ao STF.
Grilagem é a apropriação ilegal de terra pública, muitas vezes com documentos falsos ou com o registro irregular no Cadastro Ambiental Rural (CAR), que é autodeclarado. Na Amazônia, ela se concentra nas florestas públicas ainda não destinadas a nenhum uso (nem conservação, nem terra indígena, nem assentamento).
Não há uma medição anual oficial da grilagem. Os sinais indiretos são o desmatamento nessas florestas públicas e os cadastros rurais sobrepostos a áreas da União. Por isso, este tema ainda não tem gráfico aqui.
Quando o governo gasta mais do que arrecada, ele vende títulos (papéis que prometem devolver o dinheiro com juros). Quem compra esses títulos é quem recebe os juros:
Os governos devem cerca de (dívida bruta do governo geral, dezembro de ). Os juros correm sobre:
No exemplo de R$ 100 usamos a Selic média do ano. A conta por subtração (taxa menos inflação) é uma aproximação.
O empréstimo de R$ 100 mostra um ano só. Aqui está a sequência: quanto o governo economizou ou gastou a mais antes dos juros (resultado primário), quanto pagou de juros e quanto disso só repôs a inflação. A Selic é a taxa que o Banco Central define; quando ela sobe, a conta de juros sobe junto, com algum atraso.
Estimativa: dívida bruta média × IPCA. Até 2019 os juros incluem as operações de câmbio (swaps) do Banco Central.
O Ibovespa é o principal índice da bolsa brasileira: mostra a variação das ações mais negociadas, como Petrobras, Vale e grandes bancos. Quando a Selic está alta, aplicações de renda fixa (Tesouro Selic, CDB) pagam mais com menos risco, e parte do dinheiro sai das ações. Mas a bolsa também depende do lucro das empresas, do preço das commodities e do humor dos investidores no mundo, por isso nem sempre anda junto com os juros.
Variação do Ibovespa entre o último pregão de um ano e o do ano seguinte, sem descontar a inflação; a Selic é a taxa acumulada no ano, próxima do que rende uma aplicação atrelada a ela antes do imposto. Passe o mouse para ver os pontos do índice. Fontes: B3, via Ipeadata; Banco Central (Selic).
O indicador usado é o tamanho da dívida em relação à economia: dívida bruta / PIB. Quando a economia cresce mais rápido que a dívida, o peso dela diminui, mesmo que o valor em reais aumente.
A conta do resultado trata igual R$ 1 de custeio e R$ 1 de investimento. Mas um investimento pode gerar retorno no futuro, em mais produção e mais arrecadação, e esse retorno não aparece ligado à obra, só espalhado no PIB dos anos seguintes.
O retorno também não é garantido. É como a Petrobras ao procurar petróleo numa área nova: investe sem saber se vai encontrar. Se encontra, o retorno pode pagar o investimento muitas vezes; se não, o gasto fica. Por isso faz diferença se a dívida financia investimento com retorno provável ou despesa corrente.
Exemplo com R$ 100 de dívida para cada R$ 100 de PIB: se o juro real é 9% e a economia cresce 2%, a dívida passa a pesar mais a cada ano, a menos que sobrem cerca de R$ 7 de resultado primário. A conta geral:
Estimativa: juro real implícito = juros pagos ÷ dívida média, descontada a inflação. Outros fatores também mexem na dívida, como a variação do dólar e devoluções de empréstimos de bancos públicos ao Tesouro (o BNDES devolveu valores grandes em 2019), por isso a comparação é aproximada.
Inflação é o aumento geral dos preços: o dinheiro que você tem hoje compra menos amanhã. Para comparar anos sem a distorção da inflação, medimos o custo de vida em horas de trabalho com salário mínimo. Em cada tema, uma referência mundial ao lado mostra o que veio de fora do Brasil.
Quando pessoas e governo querem comprar mais do que a economia produz, os preços sobem.
Tudo o que é importado ou cotado em dólar (combustível, trigo, eletrônicos) encarece.
Secas, guerras e crises de energia reduzem a produção de alimentos e combustíveis.
Quem espera inflação sobe preços e reajusta contratos antes; como todos fazem isso, ela acontece.
Reajustes de energia, combustível e transporte público definidos ou autorizados pelo governo.
Com a Selic alta, crédito e prestações ficam caros, as pessoas compram menos e os preços sobem mais devagar.
Importados e produtos cotados lá fora, como combustível e trigo, ficam mais baratos.
Safras boas, chuva para as hidrelétricas e mais produção aumentam a oferta e seguram os preços.
O Banco Central sobe a Selic para frear a inflação: o crédito fica mais caro e a demanda cai. O efeito colateral é que os juros da dívida pública sobem junto.
O menor salário que um empregador pode pagar por mês. Ele é reajustado todo ano por lei e serve de base para muitos outros valores:
Por isso cada aumento do mínimo também aumenta a despesa pública. Regra de reajuste: de 2011 a 2019, inflação (INPC) mais o crescimento do PIB de dois anos antes. De 2020 a 2022, só a inflação. A partir de 2023, a regra de valorização voltou; desde 2025, o ganho real fica limitado pelas regras do arcabouço fiscal.
Valor fixado em janeiro de cada ano. Passe o mouse para ver o valor da época e o ganho ou perda real no ano.
Quando o noticiário fala em "cesta básica", quase sempre se refere à pesquisa do DIEESE, feita todo mês desde 1959. Ela mede o custo de 13 alimentos (carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga), nas quantidades definidas em 1938 como alimentação mínima de um trabalhador adulto por um mês (Decreto-Lei 399).
O valor muda de cidade para cidade: as quantidades variam por região e cada capital tem preços diferentes. Por isso usamos a média de 16 capitais pesquisadas desde antes de 2006, de todas as regiões. São Paulo costuma ser a mais cara, cerca de 20% acima da média; passe o mouse para ver a capital mais barata e a mais cara de cada ano.
Horas: valor da cesta ÷ salário mínimo × 220 horas por mês, o mesmo cálculo do DIEESE. Alimentos no mundo: índice de preços da FAO (ONU), em dólar, convertido para reais pela cotação média do ano. Quando a linha amarela sobe junto com a laranja, a alta veio sobretudo de fora. Média simples das capitais, sem peso por população.
Por que comida e petróleo andam juntos: os dois são cotados em dólar; o petróleo entra no custo da comida (diesel das máquinas e do frete, fertilizantes), e parte das lavouras vira combustível (etanol, biodiesel). Em 2022, a guerra na Ucrânia, entre dois grandes exportadores de trigo, milho, óleo de girassol, gás e fertilizantes, encareceu os dois ao mesmo tempo.
O preço da gasolina na bomba soma o custo do combustível na refinaria (que acompanha o petróleo no mercado mundial e o dólar), o etanol misturado, os impostos federais (Cide, PIS e Cofins) e estaduais (ICMS) e as margens de distribuição e revenda. Decisões de governo pesam em duas partes: impostos (como o corte do ICMS em 2022) e a política de preços da Petrobras, que seguiu o preço internacional de 2016 a 2023.
Brent é o petróleo extraído no Mar do Norte, usado como preço de referência mundial: a maior parte do petróleo negociado no mundo, inclusive o brasileiro, tem preço calculado a partir dele, em dólar por barril (159 litros).
Gasolina: preço médio de revenda da ANP. Petróleo: Brent em dólar (EIA, via FRED) convertido pela cotação média do ano. O petróleo oscila muito mais que a gasolina, porque impostos e margens amortecem as variações. A queda de 2015–2016 veio do excesso de oferta mundial; a alta de 2022, da guerra na Ucrânia, a mesma que encareceu os alimentos.
O preço do dólar em reais (câmbio) mexe em tudo o que é importado ou cotado lá fora: combustível, trigo, fertilizantes, eletrônicos. Ele sobe quando sai mais dinheiro do país do que entra, o que acontece por incertezas internas (crises políticas, dúvidas sobre as contas públicas) e por fatores externos (juros altos nos Estados Unidos, crises globais). Exportadores ganham com o dólar alto; quem consome importados perde.
Média das cotações oficiais (PTAX) de venda do Banco Central. Em valores do ano, sem correção pela inflação.
Acima de 100, a moeda vale menos dólares do que em 2006; abaixo, vale mais. Quando todas sobem juntas, o movimento é do dólar (dólar forte no mundo), não só do país. Quando o real sobe sozinho, pesam fatores internos. Fonte: Federal Reserve, via FRED.